Introspecção
Ser introvertida é tão engraçado, não é? Eu fui
na casa de uma amiga hoje para conhecer o novo apartamento, a nova colega de
casa (que já é uma velha amiga), e o namorado que eu não conhecia ainda. Eu
sinto que quando estou em um lugar novo não consigo pensar em mais nada do que
“Como funciona esse lugar?”, e então começo a observar. Observo a relações
entre eles, observo as piadas internadas que são explicadas, observo como eles
sentam no sofá e como é o silencio.
Introversão é o meu melhor aliado quando se
trata de reconhecimento social. Começo um monólogo interno sobre o que eu vou
falar ou o que vou perguntar para entender como aquele microssistema social
funciona. É como ler um livro detalhado.
Creio que os extrovertidos nunca vão ter essa
experiencia de ler com os olhos e narrar em suas mentes. Isso até me lembra a
faculdade, onde todo mundo quer ser extrovertido para ir em festas com
quatrocentas pessoas e a música eletrônica alta para “transcender”. Transcender
para mim é conseguir observar a beleza num saquinho plástico de papel da
padaria e pensar “Nossa essa sacolinha representa tanto por ser feita de
petróleo”.
Conversar consigo mesmo, dividir e conquistar,
observar o comum e ver o extraordinário é algo que eu nunca tiraria de mim. Não
trocaria por nenhuma festa com muito amigos ou até mesmo por um monólogo real
numa roda de conversa. Eu gosto do silencio, onde as vezes ele revela mais do
que qualquer som ordinário. Agradeço todos os dias por todas as minhas sortes e
escolhas terem me feito uma observadora.

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